"Tá todo mundo louco!"
Meus pais (que por sinal eram a Marieta Severo e o Marco Nanini: sim, da Grande Família) surtaram! Conheceram a banda The Forest (pessoalmente) e gostaram tanto dos caras que decidiram marcar meu casamento (sem me consultar) só para que eles tocassem no casório. Meu irmão (o Dvd mesmo) até preparou um convite para o casamento: parecia um encarte de CD em miniatura, cor-de-rosa, com um monte de coisa escrita que eu não identifiquei.
A bagunça toda já armada, resolvemos comprar uma casa atrás da casa da minha mãe. Era uma casa enorne: de dois andares, com corredores intermináveis e cheios de portas, piso de ardósia e paredes brancas. O proprietário antigo se chamava Frank.
Após dormir a primeira noite lá, resolvi andar pela casa para conhece-la melhor. Era tudo muito estranho, o banheiro por exemplo tinha o formato de um triângulo, o box era um quadrado gigantesco no meio, a pia ficava na base do triângulo e a ponta dele ficava vazia para o outro lado do box.
Lembro que do andar de cima dava para ver as janelas de baixo e que havia alguém numa cadeira de rodas lá, parecia ser eu, e me perguntava se estava me vendo na cadeira ou se era o reflexo.
Abri a segunda porta do corredor e que susto! O quarto estava ocupado. Era bem estreito, tinha um beliche de cada lado, um corredorzinho minúsculo entre os beliches e um monte de roupa e cobertores espalhados pelo quarto todo. Embaixo de um beliche havia um homem, e em cima do outro uma mulher que levantaram para me receber.
Percebi que os dois tinham problemas mentais e cheguei à conclusão de que a casa fora um sanatório e quando os doentes foram tirados para a venda da casa, esqueceram esses dois.
Saí, tranquei a porta (todas as portas tinham uma chave pequena para o lado de fora), procurei o Meco para ligarmos na imobiliária, quando encontramos com duas pessoas que seriam funcionárias do sanatório. Os dois estavam procurando pelo Frank e nós tentamos explicar que a casa já tinha sido vendida e agora estávamos só nós dois (mais os loucos que sobraram).
Então eu olhei para fora e vi o próprio Frank (um cara magro, de cabelos negros e rosto comprido) morto, pendurado na horizontal no alto de uma parede, com a cabeça atravessada do queixo ao topo por um cano.
Nessa hora saímos da casa e de repente descobrimos que todos os loucos ainda estavam lá, e eles começaram a sair correndo, desesperados pelo jardim da casa. Todos tinham o rosto cinza, do pescoço para cima, e iam em direção ao portão.
Uma mulher bem alta entre eles esticava o braço e derrubava qualquer um que estivesse no seu caminho. Ela foi a primeira a alcançar o portão, destrancou-o e fugiu com todos os outros atrás.
A última coisa de que me lembro foi ver passar, subindo a rua, um fusquinha conversível amarelo com os Muppets e um dos loucos dentro lambendo uma corneta.
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