Viagens
Estávamos na casa do meu tio-avô, mas não a que eu conheço: era outra bem mais simples, bem mais bonita, bem mais distante. A casa tinha muita coisa em madeira, o chão de terra batida e pelo meio dela (sim: por dentro) atravessava um riacho estreito por onde as crianças podiam brincar ao lado da mesa de jantar.
A família foi em número grande, eram dois carros cheios na despedida (cheios tipo fusca de palhaço). Mas eu não voltei, parti para outro lugar: eu e mais duas num barco. Não havia mais casa, nem riacho, nem carro. De um lado era o mar e do outro a praia.
Uma praia estreita, com casas sem calçada de frente para a areia e muita gente. Nós, dentro daquele barco enorme, muito antigo, inteiro de madeira e com manchas por todos os lados como se tivesse ficado abandonado por décadas.
Descemos pela praia, procurávamos por algum salão, mas ele não estava lá: em seu lugar havia uma casa de fliperama bem feia e com máquinas azuis velhas.
Então abandonamos o barco: pegamos nossas bolsas, casacos e chapéis e partimos pela estrada de terra à frente deixando o barco, o fliperama, o mar e todo o resto para trás.
Sabíamos que a caminhada seria muito longa, mas o destino acho que nem passou por nossas cabeças, se é que um dia chegaríamos chegaríamos em algum lugar.
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