05 março, 2004

O grande problema de eu ter um blog é não ter nada para dizer a maior parte do tempo. Aliás, é o mesmo problema que eu tinha na escola, nas aulas de redação:

"_Professora, não sei o que escrever nessa redação.
_Coloque tudo o que você tem a dizer sobre o assunto, depois arruma de forma que dê para outra pessoa entender.
_Mas eu não tenho o que dizer!
_Como assim? Você não tem opinião própria ou algo do tipo? Não se informou o sufficiente?
_Tenho e me informei, mas as minhas idéias não são nada novas. Não tem nada pra ser dito por mim. Aliás até tem, mas se eu colocasse no papel, nem arrumadinho as pessoas entenderiam.
_Se você pode entender, as pessoas também podem.
_Não podem não. Aliás é o que acontece com a maioria dos textos. Elas fingem que entendem para não parecerem burras. Fingir que entende um assunto é muito dificil e eu não quero dar esse trabalho pra ninguém.
_Para de graça e vai escrever a sua redação. E ela vale nota!"


Eu falo demais. Demais mesmo. Sou totalmente tagarela e sem noção. Falo o que devo, o que não devo, o que ninguém precisa ou pode ouvir... Mas se é pra escrever, eu prefiro escrever só se tiver algo de útil a ser escrito. E quando não tem nada de útil, o blog fica parado. Ou cheio de links que eu peguei em junkmails, fotos e desenhos.

Ok, ok... Estou escrevendo demais, e nada de útil. Mas falando em falar demais e não dizer nada, olha a frase que eu acabei de ouvir na Brasil 2000:

"São Paulo é a única possibilidade possível (...) é o que fica porque é o que sempre ficou!"

Aí você imagina quanta gente a essa hora está tentando fingir que entendeu pra não parecer burra.
Não ouvi o nome de quem fez a bela declaração, quando ouvir de novo eu conto quem foi.

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